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terça-feira, 14 de junho de 2011

PT de Quixadá está rachado para as Eleições de 2012

Prefeito Rômulo Carneiro e Ex-prefeito Ilário Marques pretensos candidatos pelo PT em 2012. 

A divisão politica no Partido dos Trabalhadores - PT em Quixadá, é uma realidade que o partido deverá enfrentar nas próximas eleições. De um lado a força do ex-prefeito Ilário Marques que recentemente rompeu ligação com o atual prefeito Rômulo Carneiro. O prefeito de Quixadá já deixou claro que vai para a reeleição justificando que precisa de mais quatro anos para colocar todos os projetos em prática o que, segundo ele, não foram suficientes nos primeiros anos de mandato que foram prejudicados pela inexperiência e intervenção do antecessor.

Já Ilário Marques que não teve sucesso em voos maiores, voltou-se novamente para Quixadá acreditando que a militância dos fieis petistas lhes garantirão apoio irrestrito como único candidato nas prévias que o PT irá realizar pensando em 2012. Marques já está em plena campanha nos bastidores da politica local, reuniões com lideranças ditam o tom de que Ilário colocará seu nome mais uma vez para apreciação popular.

Na semana passada, o prefeito de Quixadá esteve reunido com o deputado federal José Nobre Guimarães. Na reunião os dois trataram do assunto eleições em 2012 e projetos para o município de Quixadá, Guimarães que tem grande influência no partido sinaliza apoiar a reeleição de Rômulo Carneiro, um peso importante para enfrentar o diretório local. O PT de Quixadá sempre foi controlado por Ilário Marques, essa divisão pode significar uma nova fase do partido no município. 

O fato da divisão do PT pode prejudicar o partido, mas há quem acredite que os membros do diretório local se unam para não perder a chance de continuar governando a maior cidade do Sertão Central.

Foto: Higo Carlos

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Dilma tem 46,8% e Serra 42,7%, segundo CNT/Sensus aponta empate técnico


A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, e o candidato do PSDB, José Serra, estão tecnicamente empatados na corrida para o Palácio do Planalto, de acordo com pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta manhã. Segundo o levantamento, Dilma tem 46,8% do total de intenções de voto,

Como a margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos, a CNT explicou que essa diferença entre os dois candidatos se configura em empate técnico.

Os votos brancos e nulos somam 4%, enquanto 6,6% dos entrevistados não souberam ou não responderam em quem votar. Considerando-se apenas os votos válidos, o que desconsidera os votos brancos, nulos e os eleitores indecisos, Dilma tem 52,3% e Serra aparece com 47,7% das intenções.

Antes da realização do primeiro turno das eleições, no início deste mês, Dilma aparecia com 53,9% das intenções totais de voto e Serra registrava 34,5%, em uma simulação para um até então eventual segundo turno.

A pesquisa CNT/Sensus mostrou ainda que o índice de rejeição da candidata Dilma Rousseff ficou em 35,4%, ante 32,6% na simulação antes do primeiro turno, realizada entre os dias 26 e 28 de setembro. Serra, por sua vez, teve queda na rejeição, passando de 40,2% para 37,5%, no mesmo período.

O levantamento mostra que 43,3% dos entrevistados disseram que Dilma seria o único candidato em que votariam para presidente, enquanto 37% afirmaram que votariam apenas em Serra. A pesquisa também questionou sobre as expectativas de vitória dos eleitores, em que 59,6% disseram acreditar que Dilma irá vencer as eleições, enquanto 29% disseram acreditar que Serra sairá vencedor. Essa pergunta foi feita independente do voto declarado pelo entrevistado.

A pesquisa CNT/Sensus ouviu 2 mil pessoas em 136 municípios nas cinco regiões do País e em todos os Estados brasileiros entre os dias 11 e 13 de outubro e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número 35.560/2010.

Com informações do Portal IG

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Prefeito Rômulo Carneiro e á hora da verdade

Passadas as eleições, um ponto de reflexão se faz necessário dentro da administração municipal de Quixadá, não só pelos números que foram decepcionantes para os candidatos apoiados pelos atuais gestores, mas como uma forma de rever a real situação do município que passa por uma situação de extrema calamidade administrativa.

Não é novidade para ninguém que o atual prefeito Rômulo Carneiro, pela sua inexperiência de gestão iria encontrar problemas, agora, passados quase dois anos de administração, nossa cidade convive com o caos diário, problemas que extrapolam os limites de paciência da população e ocasiona situações de fragilidade em todos os setores essenciais como: saúde precária, trânsito caótico, lixo, vias esburacadas, logradouros em estado de abandono e funcionários insatisfeitos com a atual gestão.

Rumores circulam na cidade que após o processo eleitoral o prefeito enfim terá autonomia para governar o município já que é de conhecimento público que o ex-prefeito Ilário interfere nas principais decisões administrativas, tendo inclusive mantido quase a totalidade de seu antigo secretariado. As apostas já começaram nos bastidores se realmente Rômulo terá a coragem de mudanças a começar pelos secretários municipais e outras ações que impactam diretamente com os comandantes petistas na cidade.

Muitos acreditam que o prefeito será mais uma vez manipulado pelo ex-prefeito e que dificilmente terá pulso para bater de frente com Ilario, outros apostam que o silêncio de Rômulo é um indicio que mudanças ocorreram, o “silêncio” mencionado é o resultado da pouca participação de Carneiro nas campanhas eleitorais de Raquel e Ilário. É esperar pra ver, façam suas apostas.

Fabio de Oliveira
Colunista da Revista Central

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Quixeramobim derrota Cirilo Pimenta


Cirilo Pimenta/ Foto: Google
Derrotado nas urnas o político só deve rezar para não ficar inelegível 

Considerado como o político mais influente nos últimos 20 anos no município de Quixeramobim, Sertão Central cearense, o deputado estadual Cirilo Pimenta viu o seu futuro político esfacelado, seus atos que ainda devem custar um preço mais caro do que o imaginado foi um dos fatores que amargou o seu futuro político. Pimenta ainda pode ser derrotado na justiça, poderá perder seus direitos políticos e ficar 8 anos sem poder se candidatar a se quer um concurso público. Rejeição de contas públicas quando era prefeito de Quixeramobim pesa no processo. 

Cirilo Pimenta foi um dos deputados tucano que não se aliou ao governador Cid Ferreira Gomes, preferiu fazer uma oposição baseada em acusações, atirando por todos os lados. Sem ter onde buscar recursos públicos para realizar grandes obras no seu reduto político, o deputado sofreu nas eleições, uma delas foi ouvir dos seus adversários que ele era um candidato ‘ficha suja’. 

Em Quixadá, Pimenta obteve 3.056 votos na eleição de 2006, porém, nada fez a não ser se intrometer nas brigas dos bispos em 2009 visando atrair votos, mas a sua estratégica não foi aceita pelos eleitores quixadaenses, resultado, o político só conseguiu 1.763 míseros votos. 

Cirilo Antonio Pimenta Lima entrou na política como vereador no ano de 1988, em 1990, o político foi eleito a Deputado Estadual, mesmo com mandato de deputado perdeu as eleições municipais em 1992. Passados dois anos da sua primeira derrota política, Pimenta ganhou pela segunda vez uma cadeira na Assembléia Legislativa no ano de 1994. Sendo deputado filho natural de Quixeramobim tinha ganância de conquistar o poder municipal, candidatou-se a prefeito e venceu em 1996, sendo reeleito nos ano de 2000, durante estes anos o político foi considerado como um dos melhores prefeitos do Ceará e do Brasil. Cirilo Pimenta venceu pela terceira vez as eleições para deputado estadual no ano de 2006, em 2010 o político viu um passado questionado e muitas acusações o que resultou na sua derrota. 


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Derrota de Ilário Marques deixa PT de Quixadá fragilizado e abatido


Nem mesmo com a votação expressiva de sua esposa Raquel Marques que foi reeleita deputada estadual, conseguiu minimizar o desapontamento dos petistas na cidade de Quixadá após os resultados oficiais das apurações de votos. Ilário Marques foi derrotado nas urnas e seu futuro ainda é incerto pois aguarda recursos no STF que pode lhe tirar por 8 anos das próximas disputas eleitorais.

Alem da sua derrota pessoal, o PT de Quixadá amargou outros resultados que foram considerados inesperados pelo reduto esquerdista na maior cidade do Sertão Central. Numa analise rápida podemos destacar os números da candidata Rachel Marques, 10.649 votos, uma diminuição significativa do ultimo resultado das eleições de 2006 quando atingiu 13.417, sendo 36,19% dos votos validos do município.

Outro ponto importante observado foi á votação do candidato José Serra no município, embora a candidata Dilma tenha conquistado a primeira posição, Serra conquistou 12.412 votos, sendo 35,12% dos votos válidos, uma votação surpreendente dentro do reduto petista. Em Quixeramobim, o candidato Serra do PSDB, alcançou apenas 5.829, sendo 16,17% dos votos e Dilma conquistou 75,54% dos votos no município.

Em Ibaretama, Dilma ficou com 73,35% dos votos, enquanto José Serra atingiu somente 20.40% dos votos. Na cidade de Ibicuitinga não foi diferente, Dilma ficou com 74.32% dos votos, enquanto que Serra não passou dos 18.49% dos votos válidos. Como pode uma cidade governada pelo PT apresentar Serra com o melhor desempenho no Sertão Central? A desastrosa administração atual teve peso nesses números surpresas? Ou o reinado de Ilário Marques está ruindo assim como seus votos que não alcançaram nem de longe sua expectativa inicial na cidade de Quixadá?

Na contra mão desses resultados, Osmar Baquit teve melhor desempenho e uma evolução que não é muito grande, mas que se firma como um candidato capaz de manter um eleitorado fiel e crescente. Nas eleições de 2002, Raquel obteve 13.159 votos e Osmar 9.373. Na Eleição seguinte em 2006, Osmar alcançou 9.140 contra os 13.417 de Raquel. Em 2010, Raquel tirou 10.649 votos, enquanto que Osmar Baquit tirou 9.668, com uma diferença bem pequena do primeiro para o segundo colocado.

Mas a grande decepção na derrota de Ilário parece que atingiu seus principais ativistas e militantes na cidade de Quixadá, bem diferente das outras eleições não se ouviu os famosos deboches de “tome remédio” e nem “é sola muita”, alem de musicas do "lado de lá a coisa feia," a tristeza contagiou os petistas como se alguém tivesse morrido na cidade, nem bombas, nem buzinaços, muitas reflexões porque a coisa parece que ficou mesmo feio do lado de lá.


Fabio de Oliveira
Colunista da Revista Central

 

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Revista Época: Tasso diz que "Brasil vive uma crise moral"

Em entrevista concedida à revista Época desta semana, o senador Tasso Jereissati comenta os escândalos envolvendo o presidente do Senado, José Sarney. Confira a íntegra da entrevista:

Mas a crise do Senado afastou os dois. Na eleição para a presidência da Casa, em fevereiro, Tasso votou contra Sarney. “Disse ao Sarney que ele estava representando uma coisa inaceitável”, afirma Tasso. “Ele está representando a pequenez da vida pública brasileira.”

ÉPOCA – O senhor teve relações muito próximas com o presidente do Congresso, senador
José Sarney (PMDB-AP). Hoje, Sarney diz que o senhor é motivo de grande decepção para ele. Por que a relação do senhor com Sarney mudou?
Tasso Jereissati – Um dos grandes constrangimentos políticos de minha vida foi votar no Tião Viana (PT-AC, candidato à presidência do Senado em fevereiro) contra o Sarney. O Sarney tem um papel extraordinário na política brasileira. Ele levou o país a sair da agudeza do regime autoritário de uma maneira suave, que dificilmente outro político conseguiria, por causa de seu temperamento democrático. Antes da eleição para a presidência do Senado, ele me disse que não era candidato, que era uma loucura, que não tinha nem idade. Depois, mudou de ideia. Eu me preocupei com ele por estar colocando a história dele a serviço de um grupo dentro do Senado claramente deteriorado. Disse isso a ele, com enorme constrangimento, pessoalmente e na tribuna do Senado no dia da eleição. No discurso, disse a ele que enaltecia os seus aspectos positivos, mas que ele estava cometendo um grande erro e representando, naquele momento, uma coisa inaceitável.

ÉPOCA – O que representa o senador Sarney hoje?
Tasso – A imprensa se concentrou nele, e isso é injusto, porque tem gente pior. Mas ele está concentrando todos os defeitos do nepotismo, do fisiologismo, da acomodação pessoal, do aproveitamento da vida pública para vantagens específicas. Ele está representando a pequenez da vida pública, em vez de representar o lado grande do homem público, que ele representou na Presidência da República. O Sarney se apequenou.

ÉPOCA – O senhor foi um dos amigos mais próximos do senador Antônio Carlos Magalhães nos últimos anos da vida dele. Sarney e ACM são homens da mesma geração. ACM teve de renunciar ao mandato de senador por causa de um escândalo. A presidência do Senado representa uma maldição para certos políticos?
Tasso – Há uma diferença importante entre Sarney e o Antônio Carlos. Eu costumava dizer o seguinte: se você pegasse o temperamento do Sarney e juntasse a ele os homens públicos que cercavam o Antônio Carlos, você teria um dos melhores políticos do país. Mas, se você juntasse o temperamento do Antônio Carlos com os homens que cercam o Sarney, você teria um dos piores políticos do país. Apesar de serem da mesma geração, o ACM era um formador de líderes. Suas administrações sempre eram da melhor qualidade. Já o Sarney sempre se cercou muito mal.

ÉPOCA – O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), é uma dessas influências
nefastas junto a Sarney?
Tasso – O senador Renan Calheiros hoje controla uma boa parte do PMDB, que dá o tom no Senado. Ele é o homem forte da Casa. Essa boa parte do PMDB é um partido estranho. É um partido que não propõe chegar diretamente ao poder. Mas indiretamente, por meio de uma barulhenta maioria congressual, e assim mandar no governo independentemente da cor que ele tenha. É um partido que não faz meu gosto.

ÉPOCA – Por que o Senado chegou a essa crise tão profunda?
Tasso – O grande erro do Senado foi a perpetuação do poder do (ex-diretor-geral) Agaciel Maia por 15 anos. Concentrada na mão de um homem só, que gerenciava tudo – fazia cargos, contratos de compras, licitações, lidava com verbas enormes e secretas –, a prática de fisiologismo e concessão de favores cresceu, e o Senado virou esse monstro de 8 mil funcionários, que ninguém controla e sabe o que faz. Na campanha pela presidência do Senado, o Tião Viana trouxe uma proposta de rompimento com isso aí. O PSDB saiu da linha de oposição ao PT para apoiar o Tião Viana, porque percebemos que estava em jogo a instituição do Senado. Mas o Tião foi abandonado pelo Lula. Por isso, eu digo que o Lula está na gênese e no agravamento da crise do Senado.

ÉPOCA – Por que o presidente estaria na gênese de uma crise no Legislativo?
Tasso – O Lula adotou um sistema de poder na relação com o Congresso na base da cooptação. Ele não tem uma política de convencimento ou de doutrinação. Ele parte do princípio, que ele já manifestou uma vez, de que o Congresso é cheio de picaretas e sai cooptando, com cargos, obrinhas, emendas. Assim, ele constrói uma maioria tranquila. Uma ruptura com isso significaria se chocar com esse grupo político que lhe dá sustentação na base da cooptação. Ele fez uma opção que já tinha feito lá atrás, com o mensalão, e agora consolidou ao abandonar seu correligionário, que queria romper com isso. Recentemente, quando o próprio PT tentou dar um grito de independência, ele deixou claro: quem manda aqui sou eu, e meu sistema é esse. O Lula institucionalizou o que está acontecendo hoje no Senado.

ÉPOCA – Mas a barganha entre o Legislativo e o Executivo existia no governo FernandoHenrique Cardoso. O senador Renan Calheiros foi ministro da Justiça de FHC. Tasso – O (então governador de São Paulo Mário) Covas chiou, e o Renan não ficou muito tempo. Essa barganha existia em seus nichos e era feita com certa discrição, uma certa vergonha. Agora, foi banalizado. Tornou-se a regra. O jogo de repartição de verbas, emendas entre prefeitos e deputados está institucionalizado. São exceções os deputados que não participam do jogo de emendas e serão capazes de voltar ao Congresso.


ÉPOCA – O senhor já teve ótimas relações com o presidente Lula. Chegou a cogitar a
formar uma chapa presidencial com ele em 1994. Por que suas críticas a ele hoje são
tão duras?
Tasso – Pessoalmente, eu gosto muito do Lula. Lá atrás, nós achávamos que formávamos um casal perfeito. Eles tinham a base social, e nós tínhamos os quadros para fazer um projeto para o país. Isso não foi possível. A eleição do Lula foi um avanço para o país, e o Brasil, depois do Lula, é outro. Mas, de um determinado ponto em diante, eu tive uma grande desilusão ao ver a maneira que o presidente considerava correta de se consolidar no poder. Não estou fazendo nenhuma acusação moral a ele. Mas, em cima de sua enorme popularidade, ele chancelou a canalhice, a corrupção e o fisiologismo no Brasil. Hoje, o Brasil vive uma crise moral enorme por causa disso e as instituições estão apodrecidas.

ÉPOCA – Essa crítica moral ao governo e a seus aliados não perde eco por causa de situações como a do líder do PSDB, o senador Arthur Virgílio (AM), que pediu dinheiro emprestado ao Agaciel Maia?
Tasso – Acho que foi tudo explicado pelo senador Arthur Virgílio. Diante de uma situação de sufoco, ele fez a primeira coisa que lhe veio à cabeça. Na época, não mediu as consequências disso e assumiu agora o erro. Para mostrar sua independência, ele é talvez hoje o mais agressivo entre todos os senadores na cobrança do próprio Agaciel.

ÉPOCA – O senhor usou a cota de passagens aéreas do Senado para fretar aviões. Isso
não é uma vantagem indevida?
Tasso – Como não usava as passagens, acumulava um crédito a cada mês para mim. Como eu tinha esses créditos, fiz uma consulta se poderia usá-los quando precisasse fretar avião para me deslocar dentro do país. Foi-me dito que sim. O Agaciel disse que estava permitido e vários outros senadores fizeram o mesmo. Eu então usei essa verba de passagens para fretar avião. Mas, como eu tinha sido do grupo que atacava o Agaciel, eles tentaram usar essa informação para me atacar e dizer que eu usava a cota de passagens para pagar combustível de meu avião, o que não era verdade. Não tenho a menor dúvida de que agi corretamente, tanto é que quem deu às notas ao jornal Folha de S.Paulo fui eu. Mas reconheço que aquilo era uma prática que hoje a opinião pública não aceita mais. Se essa era uma mordomia indevida, então que se proíba. E agora eu não faço mais.

ÉPOCA – Qual é a solução para o Senado?
Tasso – Na primeira semana de agosto, o presidente Sarney vai ter de fazer uma proposta profunda de reforma. Não é só mudança administrativa. É mudança de hábitos e de cultura dentro do Senado. Tem de reverter toda uma cultura de mordomias e apadrinhamentos. Isso passa por uma reforma política e do orçamento. A principal arma de cooptação do governo é feita em cima da liberação das emendas parlamentares. Mudar isso não é uma coisa simples, mas tem de ter um líder que seja capaz de fazer.

ÉPOCA – Sarney tem condições de liderar essa reforma?
Tasso – Acho muito difícil. Ele vai ter de fazer um esforço pessoal gigantesco para entender a dimensão do papel que ele tem a partir do mês que vem.

ÉPOCA – Um ano atrás, a oposição era favorita na sucessão presidencial, com os governadores José Serra e Aécio Neves. Hoje, o cenário é diferente, com a ascensão da candidatura da ministra Dilma Rousseff. Qual é a chance de vitória da oposição em 2010?
Tasso – Eu nunca achei que seria fácil. O PT e o presidente Lula têm provado que sabem usar de maneira muito hábil o poder do ponto de vista político e eleitoral. O crescimento da ministra Dilma era esperado. Se você fizer uma análise, o nível de exposição da ministra Dilma na mídia nos últimos 12 meses deve ser maior que a da Xuxa, da Ivete Sangalo e do Roberto Carlos juntos.

ÉPOCA – O que o PSDB tem de fazer?
Tasso – Nós temos de ter uma definição do candidato nos próximos quatro, cinco meses. O partido tem essa obrigação. Nós não podemos ficar esperando a definição de um ou de outro candidato, conforme as circunstâncias. Nós temos de ter nosso candidato para ele mostrar que o Brasil está sem projeto.

ÉPOCA – O governador Serra lidera as pesquisas. Ele deve ser o candidato?
Tasso – O governador Serra tem grande experiência, já foi testado em nível nacional e tem o recall (memória do eleitor) de uma eleição presidencial. Está na liderança, mas não está crescendo, porque está muito recolhido. O Aécio virou uma referência de administração pública em um dos maiores Estados, tem carisma pessoal e um potencial muito grande. Com qualquer um dos dois, estaremos bem.

ÉPOCA – Uma chapa presidencial com os dois é possível?
Tasso – Uma chapa puro-sangue é possível, mas é uma hipótese remota. O problema é
saber quem é o vice (risos).

ÉPOCA – O que o senhor acha da ideia de Ciro Gomes, seu aliado no Ceará, de ser candidato a governador em São Paulo?
Tasso – O Ciro tem condições de ser candidato a governador em qualquer Estado, principalmente em São Paulo. Mas minha sensação é que o Lula está doido para se ver livre dele como candidato à Presidência. O PT quer fazer uma campanha plebiscitária. Qualquer outro candidato aliado atrapalha essa estratégia.

ÉPOCA – O que o senhor fará em 2010?
Tasso – Não sou candidato ao governo do Ceará. Já fui governador três vezes. Se for candidato, serei candidato à reeleição.

ÉPOCA – O senhor não coloca isso como uma certeza?
Tasso – Acho difícil colocar. Com todas as coisas que estão acontecendo no Senado, podemos todos sair desmoralizados dessa história. Você olha a composição do Conselho de Ética e vê que aquilo está montado para virar um circo e uma farsa grotesca. Como fica nossa imagem? Eu estou muito deprimido com o que está acontecendo no Senado. Às vezes, eu sinto vergonha de ser senador.

Fonte: Revista Época e Jangadeiro Online
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